Sessão de Leitura de Matérias
Título: 50 anos em 5
Publicada em: 22/04/2010

"50 anos em 5"

Plano de Metas criado por JK foi um marco da economia brasileira

"50 anos em 5". Para quem conhece, é difícil esquecer o lema da campanha à Presidência de Juscelino Kubitscheck. "Pegajoso", como se costuma dizer, o slogan representava o desenvolvimento que o Brasil teria sob a condução do político, então governador de Minas Gerais - estado que, sob seu comando, havia alcançado invejáveis índices de crescimento. A estrutura que estava por trás da famosa frase, no entanto, era muito mais complexa do que a sua composição.

Logo após assumir o governo, JK apresentou à população o seu ambicioso "Plano de Metas", composto por 31 setores que seriam o foco do investimento e teriam metas a serem alcançadas durante sua gestão. Não parecia ser fácil alcançar o esperado. Em 1956, após dois governos de Getúlio Vargas (dos quais, mais de 11 anos como ditador) e uma frustrada administração de Eurico Gaspar Dutra, a situação não era das melhores.

Empobrecido, o Brasil tinha 60% da população no campo e, aproximadamente, 30 milhões de brasileiros dependiam da economia agrária. Desta forma, era hora de modernizar o país e investir no desenvolvimento, gerando crescimento e empregos. "A finalidade do plano era consolidar o que começou com Getúlio, o chamado processo de substituição das importações. Assim, a primeira fase foi criar infra-estrutura para que o país pudesse produzir dentro de seu território os produtos de que precisava", relata o professor do Departamento de Economia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Claudemir Galvani.

 Quando eleito, em 1950, Getúlio Vargas decidiu investir na expansão dos setores de siderurgia e energia do país. Sua intenção visava acelerar a industrialização nacional, um movimento que crescia entre países em desenvolvimento. Assim, JK chegou ao poder com a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e a Petrobras em franco crescimento. Com matéria-prima e energia garantida, era preciso investir em manufatura para garantir emprego e expandir o país para o interior. Foi aí que Juscelino fez sua grande aposta: abriu o mercado e criou barreiras protecionistas para atrair a indústria automobilística.

"Para atrair as empresas, o presidente tinha que criar barreiras protecionistas. Com o protecionismo, Juscelino incentivou a entrada de capital estrangeiro no país, principalmente a indústria automotiva", explica Galvani. "A indústria automobilística tem um efeito multiplicador de investimentos muito elevado. Para produzir um carro, você estimula a criação de outras empresas, como fabricantes de pneus, amortecedores, vidros, faróis. Isso fez com que a escolha da empresa automobilística criasse um estímulo muito grande para a chamada de indústrias de auto-peças."